20 de fevereiro de 2007

Personagem: Joaquim Corrêa de Mello

O naturalista Joaquim Corrêa de Mello, nascido a 10/04/1816, na capital de São Paulo e faleceu em Campinas em 20/12/1877.

Foi o Cirurgião-Mór Francisco Álvares Machado de Vasconcelos, designado para exercer a função na Villa de São Carlos, e que reconhecendo no jovem Mello uma capacidade singular, conduzindo-o à Campinas para adquirir prática em seu estabelecimento, e que depois, em 1834, foi ao Rio de Janeiro, para freqüentar o curso regular de farmácia.

"De volta à Campinas em 1836. o illustre parlamentar offereceu-lhe sociedade na botica emquanto ia á Corte trabalhar pelo Brazil. Durante os vinte annos seguintes continuou na faina cotidiana das manipulações chimicas, exercitando-se, ao mesmo tempo, na cura gratuita especialmente das creanças, em que se tornou insigne, assim como na aplicação da medicina popular da nossa materia medica da flóra inexgotável e mysteriosamente desconhecida do Brazil. Lentamente foi colligindo factos e observações de pathologia e os effeitos beneficos obtidos pelos curandeiros, que, com boa critica, foi annotando até se accumular o repertório de medicina doméstica que appareceu editadq, sob o escudo do diploma doutoral do dinamarquez dr. Langgaard. O dr. Theodoro Langgaard era um destes espíritos vastos e observadores vindos do estrangeiro no meiado do século, se congregaram em Campinas numa pleiade ilustre entre os quaes enumeramos: Hércules Florence e o dr. Ricardo O'Connor Gumbleton Daunt. Todos, ao lado de Joaquim Corrêa de Mello, elaboravam alevandos problemas scientificos, quer nas sciências naturaes e médicas e históricos, cujos especimens ora davam em resultado no Diccionario de Medicina Popular - ora em excavações de inéditos, como a Geneaologia Paulista, offerecida pelo Dr. Ricardo e editada pelo Instituto Historico do Rio; ora em experiências chimicas como as feitas em collaboração com Hercules Florence sobre a photographia" . Assim foi descrito, na gramática da época, no Diário de Campinas, em abril de 1899.

Nas atas manuscritas da Câmara Municipal de Campinas de 1840 a 1870 assinalaram tantos gestos de benemerência e humanitarismo do “Joaquinzinho Boticário” ou “Joaquinzinho dos Pobres”, como era conhecido pela população.

Além de Delegado de Polícia, da época, atuou também como Juíz de Paz e de Órfãos por muitos anos e integrou, ainda, Comissões várias de cidadãos constituídas pela Câmara.

Ainda dentro destes atos de benemerência, este ainda fez criar a Sociedade Beneficente Corrêa de Mello que data de 04/02/1862, muito antes, portanto de que se cogitasse na velha Campinas de uma Santa Casa de Misericórdia e de uma Sociedade Portuguesa de Beneficência. Esta sociedade teria a função de atender os mendigos e indigentes.

Na área internacional faz-se ressaltar que, apesar do parco processo de comunicação existente na época, Joaquinzinho Boticário, por ser estudioso e pesquisador das mais raras plantas brasileiras, deveria ter sido cientista de valor, porquanto mereceu ser citado por sábios botânicos inglêses da “Society Linnean” de Londres. Em 1868, Corrêa de Mello, foi surpreendido por um galhardão notabilíssimo a coroar-lhe os esforços na sua luta de investigações com nossas florestas. A “Société Imperiale et Centrale d’Horticulture” da França, votavá-lhe uma linda e preciosa medalha “vermeil”, pela introdução por ele promovida de 21 espécies de “begoniaceas” nos jardins de Paris.

Dom Pedro II, achando-se certa vez numa capital européia, ficou surpreendido quando ouviu elogiosas referências ao botânico paulista, cuja existência ele ignorava. Em Campinas, em 1875, o Imperador teve ocasião de conhecê-lo pessoalmente.

“Foi ele um vulto verdadeiramente acatado entre os cientistas de seu tempo, com esta curiosa circunstância – muito mais conhecido no estrangeiro do que no seu país”. Assim escreveu Leopoldo Amaral em “Campinas – Recordações” de 1927.

E finalmente vale ressaltar que Corrêa de Mello com seus conhecimentos de botânica e química, ajudou à Hércules Florence na pesquisa e que culminou na descoberta da fotografia. Porém ressalte-se que esta primazia acabou não ficando com Hércules Florence pelo fato de não divulgação ao mundo tal pesquisa e descoberta.

Sua morte foi pranteada por toda população da época, mormente pelos humildes. À sua memória mereceu ser reverenciada, pelo povo, com um monumento diferente dos demais e assim foi criada a Escola Corrêa de Mello e que mediante contribuição popular ergueu-se no antigo Largo Jurumbeval. Tal escola neste local já não existe mais; porém ficou o nome, em praça, deste cidadão que muito fez por Campinas e pelo mundo; sendo que hoje dá nome a praça no mesmo local (em frente ao Mercado Municipal).

Um comentário:

Sérgio Xavier de Mendonça disse...

Sendo o homenageado meu tetravô, venho aqui acrescentar dados que descobrimos através de diversas pesquisas que realizamos (eu e meus irmãos) Quando Joaquim frequentou faculdade no Rio de Janeiro, foi aluno de Joaquim Vicente Torres Homem, irmão de criação de Francisco de Salles Torres Homem, que aliás à época também frequentava a mesma faculdade ( e que posteriormente seria o Visconde de Inhomirim) Possivelmente alí de conheceram (Joaquim Corrêa de Mello e Francisco). Muitos anos após a morte destes personagens, o único filho de Francisco (Arthur de Salles Torres Homem)se casa com Francisca uma das filhas de Joaquim que morava então na Corte. Desse casamento tiveram apenas uma filha: Maria dos Anjos de Mello Torres Homem que se casou com Emil Stock e tiveam apenas uma filha: Castorina Torres Homem Stock, nossa mãe.