1 de julho de 2007

Descaso com a História: Teatro Municipal Carlos Gomes demolido

O Teatro São Carlos, construído em 1850 quando a produção do café começava a emergir no cenário econômico campineiro, atravessou a segunda metade do século XIX e o início do século XX, passando pelo período que compreendeu o primeiro forte salto de desenvolvimento que ocorreu em Campinas. Mas, em 1922, o Teatro São Carlos parecia pequeno e não adequado ao porte da cidade em constantes saltos de expansão, sendo demolido para ceder lugar a outro teatro, muito maior, com capacidade de 1.300 lugares.

As fotos acima e abaixo são do Teatro São Carlos, ambas no começo de 1900.




Não foi o tamanho, entretanto, que impressionou aqueles que conheceram o novo Teatro Municipal, inaugurado em 10 de setembro de 1930. Era um prédio majestoso, ao qual não faltam descrições repletas de admiração. As escadarias, os corredores, o lustre do saguão, as paredes adornadas e, pelas narrativas, recobertas com pó de ouro16, são apenas algumas das características mais recorrentes nas lembranças daqueles que o conheceram.




O Teatro Municipal que em 1959 passou a chamar-se Teatro Municipal Carlos Gomes.




Interior do Teatro Municipal Carlos Gomes. O lustre que se vê em primeiro plano; hoje adorna a Escola Preparatória de Cadetes do Exército Brasileiro.

Em 1965 foi demolido e, segundo algumas narrativas, de forma bastante repentina.
Parte significativa da população não se sentiu satisfeita com as explicações dadas pela Prefeitura, especialmente pelo então prefeito Ruy Hellmeister Novaes, para a drástica decisão de demolir o teatro.

Diferentes versões para o fato são dadas em uma série de vinte e dois depoimentos que compõem o livro "Fragmentos de uma demolição: História Oral do Teatro Municipal Carlos Gomes". Na obra, pessoas que participaram da construção do teatro, administradores, atores e cantores, trabalhadores da casa, assim como os técnicos que elaboraram os laudos que designaram as falhas estruturais que condenaram o prédio, contam as variadas histórias e singularidades deste local de espetáculos, colocando as razões de seus posicionamentos, contra ou a favor da demolição do teatro.

Contudo, um dos mais enfáticos depoimentos acerca deste ato demolitório foi dado por Aristides Pedro da Silva, mais conhecido pela alcunha de V8, que fotografou todo processo. Fotógrafo, mas também grande colecionador de fotografias, V8 conta que tirou mais de 180 “chapas” da demolição. Questionado sobre o motivo que o levou a fotografá-la, V8 diz que “(...) aquilo lá doeu no coração, você tinha que fotografar. (...) Quem conheceu o Teatro, aquilo lá você chorava!”
A seqüência de fotos mostra um puro descaso com a história de Campinas.

Fotos aqui pertencem ao acervo do Centro de Memória da UNICAMP (CMU).








O fim....Lamentável!


O amigo Wagner Gottardo ajudou nesta matéria. E tem interesse em ver este descaso ser ressarcido em pról da comunidade campineira.

5 comentários:

Paulo Henrique disse...

Um teatro muito bonito, passo por aquele local quase todo dia, seria incrível se estivesse lá ate hoje.

J.M.Fantinatti disse...

Paulo Henrique, comecei um movimento para tentar junto à autoridades campineiras, para que faça algo parecido e não um teatro com "linhas modernas" para que parece estão querendo fazer. Sou mais pelas "linhas clássicas". Você e outras pessoas podem ajudar nisto. Comece a usar a imprensa e seus contatos políticos para tanto.

johnny disse...

Prezado Senhor Joao Marcos Fantinati

Li seu artigo pois não tive a oportunidade de conheceçer o TEATHER MUNICIPAL CARLOS GOMES DE CAMPINAS.

Mas como Campinas e em sua história há muitas coisas tristes como a historia do ultimo escravo morto em Campinas e esquartejado ELESBAO em 09 de dezembro de 1935. Enforcado e esquartejado e colocado em varios postos de nossa querida cidade de Campinas.

Citei isso porque nas mãos de tantas pessoas umas jovens quanto eu outras que desconhecem tais fatos de total repudio.
Não me conformo com a demolição do nosso teatro.

Por isso gostaria se possivel o sr. concedesse o direto de repropisir na integra pois ao ler o ser texto houveram horas que lagrimas rolaram de minha face.

Todos os direitos e creditos serão teus e o link para o http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2007/07/descaso-com-histria-teatro-municipal.html

Grato se o Sr puder me autorizar.

Johnny Cunha - Cantor Erudido
www.johnnycunha.com.br
falecomigo@johnnycunha.com.br
19 3231 85 09 9161 5220

J.M.Fantinatti disse...

Jhonny,

Claro que tem minha autorização; pois a minha intenção é a de divulgar a história de Campinas. E não podria eu ficar com esta éstória de direito autoral.

Todo o material do site pode ser reproduzido, desde que indicado a fonte; pois nota-se que vários assuntos eu somente reproduzo e não produzo, ao contrários de outros que são de minha autoria (ou melhor, passam a ser do mundo; pois a história de uma cidade não dono).

M@RiLeNe disse...

Ola,

todos sabem que muitos se formaram no antigo Teatro Municipal, meus pais Cesar A. d' Ottaviano e Marlene, sempre comentavam e minha mãe ainda viva, disse-me que o teatro era lindo. Na faculdade de Direito PUC, um dos meus professores disse que a desculpa pra demolir o teatro era que este estava ameaçado de cair sozinhooo!Mas qdo as pederneiras foram lançadas nas paredes foi com muito esforço que conseguiram derruba-lo. Assim hoje você tem no lugar do teatro uma praça incípida e a loja de departamento. Alguns dos pedaçõs do teatro ornam o Teatro do Cetro de Convivência. O lustre do Teatro foi para a Curia Metropolitana (qdo entrar na Microcamp olhe pra o alto).Nosso espaço vem sendo vendido pelas autoridades públicas e os particulares que donos de prédios históricos também não se importam com a sua preservção.
Meu pai morreu com o sonho de devolver a Campinas um Teatro Municipal descente, mas como nos disse um ex-prefeito um dia: cultura não tem que atrapalhar! O Poder Publico deveria Indenizar a cidade por estas perdas, pois não adianta tombar prédios e não fazer o devido restauro. Todos os dias continuaremos a testemunhar a destruição do patrimônio arquitetonico da cidade. Isso é lamentável e não se coaduna a uma cidade tãi próspera como Campinas!

http://marilenedottaviano.blogspot.com