Em 1878, a Câmara Municipal edificou no arredores da cidade (lá para os lados da Vila Industrial) um novo asilo para os morféticos, substituindo o edifício antigo, que se achava em más condições. Com o passar dos tempos este também foi demolido inclusive a capela em louvor à São Lázaro. Estes locais eram conhecidos como Lazareto.Preservação da memória histórica de Campinas, SP, Brasil; pela catalogação ordenada de sua História, fotos, documentos antigos e de tudo aquilo que possa ajudar na preservação desta. Espaço aberto à todos que têm interesse no assunto e está em constante atualização. Aberto à receber material via internet ou por correio para aumentar minha biblioteca, hemeroteca e fototeca sobre o assunto. (jmfantinatti@hotmail.com)
9 de fevereiro de 2007
Memória Fotográfica: 1878 - Lazareto
Em 1878, a Câmara Municipal edificou no arredores da cidade (lá para os lados da Vila Industrial) um novo asilo para os morféticos, substituindo o edifício antigo, que se achava em más condições. Com o passar dos tempos este também foi demolido inclusive a capela em louvor à São Lázaro. Estes locais eram conhecidos como Lazareto.8 de fevereiro de 2007
Notícias de ...: 1930
Em 10/09/1930; inauguração do Teatro Municipal, com a ópera “O Guarani” de Carlos Gomes. Obra do teatro que foi iniciada pelo prefeito Rafael de Andrade Duarte e concluída por Orosimbo Maia.
7 de fevereiro de 2007
Curiosidades: Becos
“Campinas ainda guarda muita coisa de antigamente, Histórias envolvendo bairros românticos, ruas cheias de tradição, locais de heroismo e lendas seculares. Apesar do progresso e do ar de quase metrópole, há muita coisa interessante, que o campineiro não presta atenção, enfurnado no cotidiano agitado de uma cidade moderna e grande.
Muita coisa interessante. Por exemplo: becos. Emoldurando ruas centrais e revivendo uma época ja saudosa, os becos sobrevivem, resistindo a picareta implacável que alarga ruas e derruba prédios. O beco, na sua imagem mais pura, relembra um tempo de serestas, tocaiais, namoricos. Namoricos com cumplicidade das sombras e da pequena largura. Alguns becos mais tradicionais de Campinas já vivem seu estertor; engolfados que estão por edifícios modernos de construção recente.”
Abaixo temos fotos dos becos mais conhecidos e de diversas épocas do passado.
Acima em foto de 1970 tem-se o Beco do Rocío. Vinte metros de estreita rua calçada. Em um dos lados sobrados antigos, de sacadas românticas, guardando ainda muito da arquitetura do século XIX. A placa indica Rua do Rocío, mas o povo na sua sabedoria secular insiste em chamar de Beco do Rócio. Este local fica entre as ruas General Osório e Bernardino de Campos. Rocio é um conjunto de repartições públicas, termo que era muito usado no passado e herança dos portuguêses que por ali moravam.
A placa indica Rua Coronel Rodovalho, que fica entre as ruas Conceição e César Bierrembach. Uma pequena rua que no passado e pelos mais antigos era conhecido como Beco do Rodovalho. Tal nome foi dado em homenagem a um cidadão de nacionalidade portuguesa, que mantinha uma casa comericial na antiga rua do Góis (hoje César Bierrembach), misto de armazém e bazar. A casa do português bonachão erguia-se defronte ao beco. Foto de 1970.
Tanto a foto acima quanto a foto abaixo mostram duas visões do Beco do Caracol (que hoje é a rua Benjamim Constant). A foto acima é de 1947 e mostra o mesmo de quem vem do bairro Cambui e da lado esquerdo do espectador pode-se notar a amurada da Escola Carlos Gomes.
Já no foto abaixo, de 1937, pode-se ver o beco ao fundo (que também foi chamado Beco do Roso (por haver a moradia da família Roso acerca do local) onde só circulavam pedestres. Esta foto foi feita vindo do mercado, em direção à rua Barão de Jaguara. Ao fundo do beco o antigo prédio Bento Quirino há muito demolido. No futuro com o alargamento da rua Benjamim Constant isto tudo desapareceu.
Foto acima de 1970 e abaixo de 1947 mostram a Travessa São Vicente de Paula, outrora conhecida como Beco do Inferno, ligava as ruas Dr. Quirino (rua do Meio) e Luzitana (rua de Baixo) prosseguindo até o largo do Mercado de Hortaliças (que era conhecido também casa das andorinhas) e que ficava em frente a Escola Carlos Gomes, na avenida Anchieta.
Acima o Beco do Inferno na década de 1950.
Na foto acima o mesmo Beco do Inferno, ou melhor Travessa São Vicente de Paula, em 1997 todo reformado.
6 de fevereiro de 2007
5 de fevereiro de 2007
4 de fevereiro de 2007
Personagem: Dr. Ricardo (Gumbleton Daunt)
Grande personagem da história campineira, pela sua participação em diversas áreas e tendo sido um de seus primeiros historiadores. Conheça um pouco da história deste britânico de nascimento e brasileiro de coração.
Ricardo Gumbleton Daunt, ou Richard Gumbleton Daunt de nascimento, veio à luz em Cork, na Irlanda, mais precisamente no Castelo de Kilcascan, de propriedade de seu avô William Daunt, em 30 de agosto de 1818. Existe uma pequena discrepância, em duas fontes documentais, acerca do local de seu nascimento. J. David Jorge em ensaio sobre a cidade de Campinas, indica a localidade de Hull na Inglaterra. Já os registros de seu histórico escolar na Faculdade de Medicina de Edimburgo, indicam Humbleton in East Yorkshire, também na Inglaterra. A família, entretanto, sustenta a versão endossada por vários outros relatos, que situam no castelo de Kilcascan, o local onde o médico veio à luz.
Era filho primogênito de Richard Gumbleton Daunt e Anna Dixon Raines, de Kirkland. Devido ao sistema de morgadio, sendo o segundo filho de William Daunt, seu pai viu-se excluído da sucessão nos títulos e terras da família, tornando-se capitão do exército inglês. Aos cinco anos, tendo-lhe falecido a mãe, o Dr. Ricardo passou a ser educado pela família desta na Inglaterra.
No ano de 1066, Guilherme atravessou o Canal da Mancha e empreendeu a conquista bem sucedida das Ilhas Britânicas, levou consigo os primeiros Daunt a fixar-se em solo inglês, deixando na Normandia uma parte da família, que grafava-se Dauntre, de modo afrancesado. Ao longo dos anos, através dos casamentos, os Daunt foram ligando-se aos De Tracy, de Toddington, e aos Owlpen, de Gloucester. Participaram de batalhas célebres e estabeleceram alianças sempre próximas aos monarcas reinantes.
Durante a Guerra da Duas Rosas, os Daunt apoiaram a Casa Lancaster, da Rosa-Vermelha, ligando-se aos Stowell, de Somerton. Após o período sangrento em que as Casas de York e Lancaster pereceram e propiciaram a ascensão dos Tudor, a situação da família e seus aliados foi-se complicando ano após ano. Católicos ortodoxos, alguns dos Daunt foram surpreendidos pela reforma de Henrique VIII, que foi posteriormente consolidada por sua filha Elizabeth I.
Aqueles foram anos de incertezas políticas, conspirações, ameaças de guerras iminentes com a Espanha e a França, não apenas devido à religião, mas à supremacia política da Europa ocidental. Foi durante o reinado de Elizabeth I, que Thomaz Daunt Owlpen de Throckmorton passou à Irlanda, fugindo às perseguições, para ali fixar-se, dando origem ao tronco familiar no qual o Dr. Ricardo viria a nascer.
A passagem dos Daunt para a Irlanda, deu-se em um período bastante conturbado e marcado pelo estigma das disputas religiosas. Em sua nova terra, a família ligou-se aos O’Connor, de uma longa linhagem de patriotas, descendentes de Roderick O’Connor, o 183o. Monarca Suzerano da Irlanda, que falecera em 1198. O Dr. Ricardo orgulhava-se desse parentesco que incluía Fergus O’Connor, líder cartista e membro do Parlamento em Londres, e Francis Burdett O’Connor, companheiro de Simón Bolívar nas guerras de independência da América Espanhola. Costumava corresponder-se com o neto de Francis, Dr. Thomaz O’Connor D’Arlach, residente em Tarija, na Bolívia, e editor do jornal “La Estrella de Tarija”.
Apesar do caráter migratório da trajetória dos Daunt, o Dr. Ricardo considerava-se irlandês. Talvez porque as origens normandas dos Daunt, o identificassem mais ao povo celta, que dera origem à Irlanda, do que aos saxões da Inglaterra. Considerava-se irlandês e Aristocrata, assim mesmo grafado com maiúscula, conforme costumava fazê-lo em sua correspondência pessoal.
Sua formação deu-se sob a direção do Dr. Isaac Dixon, seu tio materno. Além da “sólida moral cristã”, este parece tê-lo apoiado nos caminhos da medicina. O doutor Ricardo estudara temporariamente nas faculdades de Paris e Viena, mas graduara-se em Edimburgo, bem como acompanhara o curso de Humanidades, em Londres. Devido ao caráter vasto de seus estudos e à habilidade e interesse por expressar-se em diversas línguas, logo adquiriu fama de erudito.
“Tinha notável erudição, não só em Medicina, como em Philosophia, Historia, Sciencias Naturaes e Sociaes, e conhecia muito bem o Latim, Grego, Allemão, Inglez, Celta, Francez, Russo, Hespanhol e Portuguez.” Assim escreveu um cronista da época.
No “Livro de Ouro de Ricardo Gumbleton Daunt. 1818-1918. Primeiro Centenário de seu Nascimento”. Lançado pelas Officinas Graphicas Cardozo Filho & C., em São Paulo no ano 1918; afirma-se entretanto, que esse cabedal de conhecimentos reflete uma longa trajetória de árduos estudos que prolongou-se por sua vida afora. Sempre pesquisando e participando ativamente de Sociedades e Institutos, o Dr. Ricardo cultivava sua erudição com um zelo muito maior do que aquele que dedicava à sua clínica ou a suas propriedades.
Em 2 de agosto de 1841 foi lavrado seu pergaminho de Doutor em função da tese defendida que versava sobre inflamações agudas. Chegando ao Rio de Janeiro em 1843, após uma passagem pela África do Sul, defendeu publicamente perante a Faculdade de Medicina nova tese que lhe possibilitou o exercício da clínica no Brasil, conforme exigências legais. Clinicou em Macaé, mas acabou por radicar-se na Província de São Paulo. Em 24 de Abril de 1850 foi expedida a carta de naturalização, que o transformou em cidadão brasileiro.
Como membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, onde algumas de suas cartas ainda são conservadas nos arquivos, desenvolveu uma atividade prolífica entrevistando pessoas idosas à procura de memórias sobre a origem de usos, costumes, palavras e sobre o passado das famílias paulistas. Genealogista obcecado, entregou-se à paixão de localizar, identificar e remeter ao Instituto, manuscritos setecentistas que foram elaborados por Pedro Taques, entre outros.
Sua dedicação como erudito, de certo modo, igualava sua pertinácia como conservador. Do mesmo modo, seu catolicismo ferrenho levava-o constantemente à crítica da expulsão dos jesuítas, chamando de parvenu ao Marques de Pombal, em uma clara alusão ao enobrecimento tardio por contraposição às suas próprias origens. Afirmava que a educação e a moral da Província de São Paulo encontravam-se em um acelerado processo de decadência, devido ao fechamento das escolas fundadas pelos jesuítas. Crítico implacável das idéias dos jansenistas, reconstituía com freqüência a vida dos padres de Itú, revelando suas fontes e informações, e expressando sua frustração com o estado das tradições e do ensino na cidade e na Província.
Encontrava-se, por ocasião de seus trabalhos como genealogista, que geraram as primeiras correspondências junto ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, residindo na cidade de Itú. Sendo um dos fundadores do partido católico, durante o segundo reinado, dividia igualmente sua paixão entre a clínica, a política e o ofício de historiador amador.
Em Campinas foi tesoureiro da irmandade do Espírito Santo, estava listado entre os lavradores (isto é, proprietários de lavoura), e também como médico e 4o. Juiz de Paz da Paróquia de Santa Cruz. Fora vereador na cidade e tornaria a sê-lo por várias vezes, bem como deputado à Assembléia Provincial, e conquistara sua fama de luminar da medicina, talvez não apenas por sua procedência mas pelo caráter enfático com que sublinhava seus diagnósticos e opiniões.
Em 18 de setembro de 1845 casou-se com Anna Francelina de Camargo, filha de Joaquim José dos Santos Camargo, de ilustre família paulista, resultando dessa união seus nove filhos: Haroldo (1846-1886) – foi vigário de Capivari; Torlogo (1847-1909) – era advogado e exerceu vários cargos públicos em Campinas; Fergus (1849-1911) – foi Vigário Geral de São Paulo; Alicia (1851-1933) – embora permanecesse solteira, tivera esmerada educação no Colégio Patrocínio de Itú e veio a herdar-lhe a casa da rua Marechal Deodoro; Briano (?-1889) – era advogado e faleceu solteiro; Winifrida (1857-1928) - teve o casamento arranjado com José de Salles Leme; Fernando (1858-1930) – permaneceu solteiro e não sabemos ao certo se chegou a ter alguma profissão; do mesmo modo, de Cornélio, casado com Anezia de Queiroz Ferreira, a família informou que tendo abandonado a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, dedicou-se ao magistério; Rogério (1862-1914) – era advogado.
A importância do parentesco com os Camargo revelou-se na hora encaminhar seus filhos ao estudo ou conseguir-lhes casamentos vantajosos, bem como de deixar suas duas filhas bem amparadas.
Tanto seu testamento, quanto o de sua esposa, falecida em 31 de outubro de 1885, demonstram que apesar de sua mobilidade e inserção social adequada, sua vida permanecera modesta e ao final tornara-se bastante austera. Do estabelecimento de lavoura que, em 1866, contava com mais de vinte escravos, provavelmente herdado de Joaquim José dos Santos Camargo, nada restara. As crises do café e o costume de ser fiador de dívidas de parentes levaram esses bens. Apenas restava-lhes a casa da rua Marechal Deodoro e sua extensão que dava para a rua Sacramento.
Apesar da estima aparentemente mútua entre o Dr. Ricardo e seu sogro, a herança do velho Joaquim não pôde ser aumentada ou bem conservada devido aos reveses econômicos e às disputas familiares. Por ocasião do falecimento do Dr. Ricardo, em 1893, apenas a casa de residência à antiga rua do Imperador, por então e até hoje renomeada Marechal Deodoro, mais quadros, livros e mobília, constituíam o patrimônio que foi dividido pelos sete filhos que lhe sobreviveram.
Anna Francelina de Camargo, passou quarenta anos de sua vida casada com o Dr. Ricardo, e embora fosse através de sua pessoa que este fora inserido na parentela dos Camargo, e que obtivera uma boa parte dos bens materiais que lhe passaram pelas mãos, pouco ou nada sabe-se dessa senhora. Nos casos de dívidas e execuções, D. Anna tivera seu nome ligado indissoluvelmente ao do marido, e em momento algum fora ouvida quer fosse nos tribunais ou em qualquer outra instância da sociedade civil.
Seu testamento foi realizado no leito, durante a agonia que prolongou-se durante alguns meses. Gravemente enferma, D. Anna Francelina preocupava-se com o bem-estar futuro de seu marido e com a salvação da própria alma. Assim, após vários legados simples em que beneficiava as Paróquias de Conceição e de Santa Cruz, a fim de que fossem rezadas as missas necessárias a bem da paz de sua alma, procurou dispor de sua terça da maneira como achava mais justo e adequado.
Cada legado às paróquias montava a um conto e cem mil réis; duzentos mil réis iam para sua neta Alfrida, filha de Torlogo O’Connor Paes de Camargo e Daunt, seu segundo filho; o remanescente da terça, em partes iguais, ia para seus filhos Fernando e Alice, e seria parte da casa de residência da família à rua do Imperador, número dez; (hoje rua Marechal Deodoro, 1117) deixa claro que esta casa era uma doação que seu pai lhe havia feito e que, portanto não entrara para a comunhão de bens do casal, mas institui seu marido como meeiro e deixa-lhe a metade do imóvel.
O Dr. Ricardo, por sua vez, faleceu em 7 de junho de 1893, aos 74 anos, apenas dois meses após a confecção de seu próprio testamento. A causa mortis dada pelo Dr. Domingos de Azevedo em seu atestado de óbito, foi “syncope”; ou seja uma síncope ou ataque qualquer de natureza desconhecida.
Seu testamento indica que, ao falecer, o Dr. Ricardo, encontrava-se em situação econômica quase análoga à de sua chegada ao país. A casa em que residia deveria passar diretamente aos herdeiros, uma vez que fora de sua falecida esposa, seus bens reduziam-se a quadros, livros, algumas ações da Companhia Mogyana, pouca prataria e móveis em geral, de onde foi tirada a legítima que coube a cada um de seus filhos vivos, que por então eram sete. Dois legados apenas no testamento, cento e oitenta mil réis destinados à celebração de sessenta missas, cinqüenta para as almas de todos aqueles que tinham sido seus escravos, e dez para sua própria alma; e um conto de réis para o “creoulo” Huberto, filho de Eva que fora sua escrava.
Há no testamento uma dívida confessa de oito contos e quinhentos mil réis, do Dr. Ricardo em relação a sua filha solteira D. Alice. O texto especifica que se trata de dívida e não de legado e justifica como pagamento pelos serviços prestados na administração da casa, desde a doença de sua mãe. D. Alice, que foi por ele designada para testamenteira, cumpriu escrupulosamente cada legado e saldou todas as dívidas; do montante remanescente, cada filho sobrevivente recebeu dois contos e quarenta e dois mil quinhentos e quarenta e nove réis, como legítima.
Morte súbita, o testamento indicava o desejo de um enterro simples. Mas não foi assim. Embora o documento fosse claro, a família despendeu a quantia de 1:678$800 (um conto e seiscentos e setenta e oito mil e oitocentos réis) com o serviço funerário, caixão, féretro, etc. Considerando a simplicidade de seu inventário, essa quantia chama a atenção. Talvez seus filhos estivessem cônscios da importância do velho médico para a cidade e de suas origens e não quisessem de modo algum que o despojamento ostentado em sua última vontade fosse traduzido a olhares contemporâneos como miséria ou indiferença.
Quando D. Pedro lI, em 1846, visitou a cidade, a rua em sua homenagem passou a ser a "Rua do Imperador", depois trocada pelo nome do proclamador da República, Marechal Deodoro. Do casario antigo do tempo em que era do Imperador, restam o prédio que tem, atualmente, o n° 1117, onde residiu o dr. Ricardo Gumbleton Daunt.
Partes do texto aqui reproduzidos foram retirados de tese de doutoramento da Profa. Dra. Anna Gicelle Garcia Alaniz, defendida na USP em 29/11/1999, intitulada "Dr. Ricardo Gumbleton Daunt: o homem, o médico e a cidade (Campinas, 1843-1893)". A qual faço uma homenagem ao reproduzir partes do texto.
A placa afixada na parede com os dizeres abaixo.
“À memória illustre do Dr. Ricardo Gumbleton Daunt este preito consagra a gratidão de Campinas a 30 de agosto de 1918 commerando o primeiro centenário de natalício do philantropo e do cidadão.”
O vereador Orosimbo Maia, apresentou na sessão da Câmara Municipal de 9 de novembro de 1893 requerimento para “nomear uma rua, paralela à rua Barão de Parnaíba, e que se formara em virtude das recentes venda de terreno em frente à linha da Mogiana”. E assim esta via recebeu o nome de “Dr. Ricardo”.
Túmulo do Dr. Ricardo e esposa, no cemitério da Saudade em Campinas. O túmulo é o primeiro do lado esquerdo do espectador. As 3 fotos na seqüência mostram os detalhes do mesmo.
2 de fevereiro de 2007
1 de fevereiro de 2007
Notícias de ...: 1878
Foi com alegria e satisfação que o povo campineiro recebeu, agora em 1878, a nova casa de espetáculos e de divertimentos, inaugurada com divertidas exibições de patinação por senhores, senhoras e jovens de ambos os sexos. Os tombos levados pelos menos experientes da difícil arte da patinação acarretaram discretos sorrisos por parte dos assistentes, convidados e pagantes.
Não há dúvida! Campinas civiliza-se!
31 de janeiro de 2007
Personagem: Américo Brasiliense
30 de janeiro de 2007
Memória Fotográfica: 1946 - Cine Colyseu
28 de janeiro de 2007
Notícias de...: 1834
Largo Santa Cruz (um dos tres campinhos que deu origem a cidade); ponto de partida para os sertões de Alto Goiás e Mato Grosso. Parada obrigatória, com lojas de ferragens, armazéns de gêneros de terra e de bebidas, olarias e depósitos para venda no varejo e atacado. O Largo Santa Cruz tem hoje o nome de Praça 15 de Novembro e fica no bairro Cambuí.
27 de janeiro de 2007
Curiosidades: História da Água em Campinas
Dois anos depois, a mesma Câmara solicita, através de seu presidente, Luiz Henrique Pupo de Moraes, à Assembléia Legislativa Provincial, recursos para financiar a instalação de um chafariz. A 12 de agosto de 1858, a Tesouraria Provincial expede um ofício, comunicando a liberação para Campinas de "oito contos de réis, sendo seis contos para serem aplicados na construção de um chafariz", o que apenas ocorreria em 1873.
Acima foto de 1904 mostra o chafariz de ferro no Largo do Rosário
Foto de 1916 mostra um dos reservatórios da Companhia Campineira de Águas e Exgottos
Subterrâneos da mesma estação de tratamento de água da av. Abolição
Os efeitos da febre amarela, que esvazia a cidade no final do século XIX, fazem com que o sistema da Rocinha seja suficiente para o abastecimento de Campinas até a segunda década do século XX. A ampliação do sistema de abastecimento, para atender ao novo surto de crescimento a partir da década de 1920, será feita já com a Companhia Campineira municipalizada, a 7 de dezembro de 1923.
26 de janeiro de 2007
Personagem: Orosimbo Maia
Membro do Partido Republicano Paulista, Orosimbo Maia (Membro do Partido Republicano Paulista ) foi o primeiro prefeito de Campinas ao tomar posse em janeiro de 1908. Com espírito inovador, Orosimbo Maia inaugurou o Mercado Municipal em 12/04/1908, numa época em que a cidade tinha 35 mil habitantes e 5 mil edificações.
Nos relatórios anuais publicados pela Prefeitura notou-se uma crescente preocupação, a partir da década de 1920, em controlar o crescimento urbano da cidade, bem como, em proporcionar sua modernização, para que estivesse compatível com a intensificação da vida urbana. Para isso, uma série de medidas foi tomada, especialmente na gestão do prefeito Orosimbo Maia (segundo mandato em 1926 a 1930) - também grande incentivador do plano de urbanismo. Reorganizou e ampliou a então denominada Repartição de Obras que passou a chamar-se Repartição de Obras e Viação.
Orosimbo Maia é destituído após a capitulação do movimento revolucionário de 1932 e substituído por algumas horas pelo tenente-coronel Elias Coelho Cintra em 1/10/1932 e nesse mesmo dia por Alberto Cerqueira Lima que permaneceu até 7/9/1933.
É nome de importante avenida em Campinas onde existe um busto em sua homenagem e que foi inaugurado em 1950.
25 de janeiro de 2007
Memória Fotográfica: 1908 - Lyceu Artes e Offícios
24 de janeiro de 2007
23 de janeiro de 2007
22 de janeiro de 2007
20 de janeiro de 2007
Curiosidades: Meados e fins do século XIX e 1o. quartil do século XX
Percorrendo velhas coleções de jornais, deparamos freqüentemente com anúncios curiosos que nos falam dessa preferência e simpatia, através do batismo de inúmeras casas com nomes afrancesados.
Modistas, joalheiros, alfaiates, cabeleireiros, hotéis, etc., levantavam suas taboletas de reclame nas quais indicavam a arte de bem comer e de vestir, moldadas pelo reconhecido bom gosto e requintes provenientes daquele país.
E na cidade pequena, de casas baixas, de largos berais, que deitavam sombras nas ruas estreitas de ares provincianos, isso, naturalmente, causava a melhor impressão, nivelando-a aos grandes centros onde a cultura francesa gozava de larga aceitação.
Na rua Barão de Jaguara a joalheria J. Gerin.
Em 1880, abriam suas portas o Restaurante Des Pirinés, conceituadíssimo pela sua cozinha a “La carte”. Outra casa do mesmo gênero, era o Restaurant de France, que anunciava em francês pelos jornais as suas especialidades. “La Parisiense”, fabricava viaturas elegantes, caleças (do Francês. Calèche - carro leve de quatro rodas e capota dobrável) e coupês nos tipos mais usados em Paris.
Localizada à rua do Comércio (Dr. Quirino), centro das mais importantes casas comerciais da época, “La Mode Parisiene” era muito procurada pelas senhoras elegantes, que ali encontravam completo sortimento de fazendas e adornos. Uma oficina de costuras muito conhecida era “Au Printemps”, com especialidade em roupas para crianças.
A família de Barão Geraldo de Rezende posando para foto no pátio da Fazenda Santa Genebra, veja a elegância das mulheres na foto.
Chapéus, flôres, fitas e enfeites variados, podiam ser encontrados nas casas “La Marguerite”, “Mme. Rase”, ou na “Vile de Paris”, no Largo da Matriz Nova (Catedral). Para os cavalheiros que desejavam aprimorado corte de cabelos, barba e bigodes tratados a capricho, com fricções de perfumaria estrangeira, não havia melhor do que o Salon de Paris, situado na rua Direita (Barão de Jaguara) , “Cabrier & Cia.”, era a firma proprietária da Alfaiataria Francesa, à rua do Rosário (hoje av. Francisco Glicério), casa frequentada pelos elegantes da cidade.
Muito procurada também era a Chapelaria Francesa, de Mme. Renriete Bhermann, na praça da Matriz Velha (Igreja do Carmo). Escovas, pentes, leques e tranças vendiam-se no “Ao Chic Parisien”, sempre em dia com as últimas novidades no gênero.
Outro restaurante apreciadíssimo pela sua mesa requintada, era o “La Renaiscense”, localizado à rua Regente Feijó. No antigo prédio que existiu onde atualmente se encontra o edifício Kaufmann, durante vários anos funcionou o Hotel de França de Ferdinand Domingos, casa de primeira ordem que mantinha secções de restaurante, bar, sorveteria, confeitaria, salão de chá, fábricas de doces finos, encarregando-se também de pensões a domicílio e serviços completos para casamentos e batizados.
A loja Au Monde Elegant, ficava na confluência das rua Barão de Jaguara com a rua César Bierrenbach.“Weill & Freres” forneciam fazendas, plumas, flôres e bordados de importação em larga escala. Tornou-se famosa pelas suas múltiplas atividades a casa “Ao Monde Elegant”, de Alfredo Genoud, mais tarde denominada Casa Genoud, com secções de livraria, papelaria, armarinhos, brinquedos, músicas e instrumentos, fábrica de caixas de papelão, perfumaria e tipografia. Um dos mais conhecidos estabelecimentos de moda que a cidade contava no seu importante comércio era a “Notre Dame de Paris”, de proprietários portugueses, localizada à rua dr. Quirino, canto do tradicional Beco do Inferno, hoje desaparecido.
A Casa Genoud foi construída no local onde havia a Au Monde Elegant.
Além do grande e primoroso estoque de fazendas finas, casimiras, lã e sedas importadas dos mais afamados produtores europeus, esta casa, freqüentada pela alta sociedade campineira, mantinha atelier de costura sob a direção de hábil contra-mestra francesa. Dali saiam finíssimos enxovais para noivas endinheiradas que exigiam o que havia de melhor no ramo.
Outro estabelecimento de hospedagem bastante conhecido era o Hotel de Paris, de Pierre Lambourget, na rua do Bom Jesus (hoje av. Campos Salles).
Relógios e jóias finas, encontravam-se na casa “Ao Perret”, à rua Direita. Roupas feitas para homens e crianças forneciam Renri Bloch & Freres. Modas para senhoras em geral, chapéus, rendas, fitas, plumas, fivelas, alfinetes fantasia e adornos de penas vendiam-se na loja “La Mode Parisiene”, à rua do Comércio (hoje Dr. Quirino).
Veja a elegância das mulheres e homens pelas ruas de Campinas, no caso a rua General Osório em 1915.
Quanta seda fina, rendas primorosas, leques deslumbrantes e bijouterias de muito gosto proveniente de Paris, Lion e Marseille, não despertou a vaidade de nossas vovós então moças elegantíssimas, cujos vestidos eram talhados sob modelos do Miroir Des Dames ou de La Mode Illustrée. As grandes, mangas folhudas, os corpetes ajustados, e as amplas saias compridas até os pés, certamente exigiam remates e enfeites de qualidade que a França exportava com os requintes de seu artesanato até hoje insuperável.
19 de janeiro de 2007
Memória Fotográfica: 1895 - Largo do Rosário

Inspirado no livro Retratos da Velha Campinas, de José de Castro Mendes (nome que deu origem ou foi homenageado com o Teatro Castro Mendes), editado em 1951. Pode-se ver a foto, retirada do mesmo livro, o pacato e bucólico Largo do Rosário em 1895. Nele podemos notar o grande arvoredo que havia, assim bem como os bancos de madeira e ferro; onde os senhores elegantemente trajados conversavam descontraidamente.
18 de janeiro de 2007
Curiosidades: 1945 a 1947 - Desapropriação do Aeroporto de Viracopos
17 de janeiro de 2007
Personagem: Júlio Ribeiro

Era filho do casal George Washington Vaughan e Maria Francisca Ribeiro Vaughan, professora pública, com quem fez os estudos de instrução primária, matriculando-se depois em um colégio mineiro. Deixou-o para vir estudar na Escola Militar do Rio de Janeiro, em 1862.
Foi um jornalista combativo, panfletário, polemista. Ao defender a própria literatura contra os que o atacavam, reconheceu: "Das polêmicas que tenho ferido nem uma só foi provocada por mim: eu não sei atacar, eu só sei defender-me, eu só sei vingar-me." Quanto ao filólogo, procurou ajustar o rigor lusitano da língua aos moldes do linguajar nativo. Apesar disso, a sua Gramática portuguesa envelheceu, superada pelos estudos de filólogos posteriores.
16 de janeiro de 2007
15 de janeiro de 2007
Notícias de ...: 1903
Em janeiro de 1908 giraram pela primeira vez os ventiladores de teto da Casa Barsotti, na rua Barão de Jaguara, freqüentada pela intelectualidade republicana. Não demorou muito e praticamente todas as ruas do centro foram dotadas de luminárias de arco voltáico. Muitas residências tinham não só eletricidade, mas também ventilador, fogão elétrico e até banho quente.
14 de janeiro de 2007
Monumento: Cemitério da Saudade

Fotos mostram a década de 1910.Fundado em 10 de outubro de 1880, quando recebeu corpos anteriormente sepultados em um cemitério da Vila Industrial (desativado com a chegada da ferrovia) é o mais antigo cemitério de Campinas. Consta em registros históricos, que a desativação do cemitério nas proximidades da linha férrea deu-se por decisão da Câmara Municipal, e que o Saudade foi escolhido para substituí-lo pelo fato de estar situado, na época, distante do que era a área central da cidade.
Prédio da Administração
Museu a Céu Aberto

13 de janeiro de 2007
Curiosidades: 1923 - Cinema em casa?
12 de janeiro de 2007
Personagem: Luis Gama

Luís Gonzaga Pinto da Gama (nasceu a 21 de junho de 1830 em Salvador e faleceu em São Paulo, 24 de agosto de 1882) foi um advogado, jornalista e escritor brasileiro.
Demonstrando que a escravidão era sistema injusto e injustificável, Luís Gama produziu alguns pensamentos que merecem reflexão:
• "O escravo que mata o seu senhor pratica um ato de legítima defesa."
• "Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime.
• Mas nossos críticos se esquecem que essa cor é a origem da riqueza de milhares de ladrões que nos insultam; que essa cor convencional da escravidão, tão semelhante à da terra, abriga sob sua superfície escura, vulcões, onde arde o fogo sagrado da liberdade."
11 de janeiro de 2007
Memória Fotográfica: Década de 1920
Especular vista, da década de 1920, do Centro de Campinas com vista para a região leste da cidade, na confluência das ruas General Osório e Regente Feijó. Vê-se logo abaixo a loja Photographia Costa, hoje existe na quadra toda o Palácio da Justiça. Vide ainda um bonde seguindo na rua Gerneral Osório.No lado direito central do observador pode-se ver o Mercado Municipal. No horizonte acima em seu lado direito pode-se observar também o prédio da delegacia de polícia que fica na av. Andrade Neves e mais ao horizonte em seu lado esquerdo vê-se também um dos galpões da estação ferroviária.
Clique sobre a foto para ter uma melhor visão da belíssima paisagem que ficou somente na memória; isto pois atualmente esta vista é impossível.


